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Explante mamário
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

Resumo rápido: o explante mamário é a cirurgia de retirada da prótese de silicone das mamas. Pode ser indicado por motivos estéticos (desejo de mamas menores ou mais naturais) ou de saúde (contratura capsular, ruptura do implante ou suspeita de doença do silicone). A técnica varia entre explante simples e explante com capsulectomia, e a reconstrução do volume pode envolver mastopexia e lipofilling. Toda cirurgia envolve riscos e a indicação depende de avaliação individual.

O explante mamário é o nome da cirurgia que retira os implantes de silicone das mamas, também conhecida como explante de silicone. Nos últimos anos, esse procedimento vem ganhando espaço no Brasil: muitas mulheres que colocaram próteses no passado hoje buscam removê-las, seja por mudança de preferência estética, seja por questões de saúde.

Neste conteúdo, você vai entender o que é o explante mamário, quando ele é indicado, quais são as técnicas, como fica a mama depois, como é a recuperação e quais riscos envolve. A intenção é informar para que você converse com seu cirurgião plástico de forma mais segura e esclarecida.

O que é o explante mamário?

O explante mamário é a cirurgia destinada à retirada das próteses de silicone das mamas. É o procedimento inverso ao da mamoplastia de aumento: em vez de inserir o implante, o cirurgião o remove. Em alguns casos, retira-se também a cápsula fibrosa, uma camada de tecido que o organismo forma naturalmente ao redor de qualquer implante.

Por exigir, com frequência, técnicas de reconstrução da mama no mesmo tempo cirúrgico, o explante costuma ter complexidade maior que a colocação inicial da prótese. Por isso, deve ser realizado por cirurgião plástico com experiência em cirurgia mamária.

Quando o explante mamário é indicado?

A retirada da prótese de silicone pode ter motivações estéticas, médicas ou uma combinação das duas. A indicação é sempre individual e definida em consulta. Vou listar alguns motivos para vocês:

Motivos estéticos

Entre as razões pessoais e estéticas mais comuns estão:

  • Desejo de ter mamas menores;
  • Vontade de retomar um aspecto mais natural, sem prótese;
  • Arrependimento em relação ao tamanho ou ao formato escolhidos no passado;
  • Decisão de não substituir próteses antigas por novas.

Contratura capsular

A contratura capsular ocorre quando a cápsula que envolve o implante endurece e se contrai, podendo causar dor, endurecimento e alteração do formato da mama. É uma das principais indicações médicas para o explante, sobretudo nos graus mais avançados, em que o desconforto é significativo.

Ruptura do implante

Embora incomum, a prótese pode se romper ao longo dos anos. A ruptura costuma ser identificada em exames de imagem, como a ressonância magnética, e em geral indica a remoção do implante — com ou sem troca, conforme o caso.

Explante e doença do silicone (BII), síndrome ASIA e BIA-ALCL

Uma parcela das pacientes procura o explante mamário por causa de sintomas que atribui à prótese. É importante tratar esse tema com cuidado e sem promessas, porque a relação entre implantes e sintomas sistêmicos ainda é objeto de estudo.

A chamada “doença do silicone”, associada ao termo internacional Breast Implant Illness (BII), descreve um conjunto de sintomas inespecíficos, como fadiga, dores articulares, queda de cabelo e alterações de memória, relatados por algumas mulheres com implantes. Você pode entender melhor esse quadro no conteúdo sobre os sintomas da doença do silicone.

A síndrome ASIA (síndrome autoimune/inflamatória induzida por adjuvantes) é um conceito relacionado, em que o silicone funcionaria como um possível gatilho em pessoas predispostas. Já o BIA-ALCL é um tipo raro de linfoma associado a alguns modelos de prótese, geralmente de superfície texturizada, cujo sinal mais comum é o acúmulo tardio de líquido (seroma) ao redor do implante.

Sobre a melhora dos sintomas após a cirurgia, é preciso ser transparente: estudos sugerem que parte das pacientes relata alívio após o explante, mas os resultados são variáveis e não há garantia. Como muitos desses sintomas se sobrepõem aos de outras condições (tireoide, menopausa, doenças reumatológicas), a investigação médica prévia é essencial antes de atribuir o quadro ao implante. Para casos em São Paulo, há mais informações na página sobre o tratamento cirúrgico da doença do silicone.

Técnicas de explante: simples e com capsulectomia

Existem, basicamente, duas técnicas principais para a retirada dos implantes de silicone. A escolha depende do motivo do explante e das condições da cápsula.

Ilustração de explante mamário comparando explante simples e explante com capsulectomia
Diferença entre o explante simples (apenas a prótese é removida, a cápsula permanece) e o explante com capsulectomia (prótese e cápsula removidas em conjunto).

Explante simples

Na técnica de explante simples, retira-se apenas a prótese de silicone, mantendo a cápsula no lugar. Em parte dos casos, a paciente não apresenta alterações na cápsula que justifiquem sua remoção, e essa abordagem é suficiente.

Explante com capsulectomia intacta

No explante com capsulectomia, a prótese é removida junto com a cápsula, idealmente como uma peça única. É a técnica preferida quando há contratura capsular ou ruptura do implante, pois reduz o risco de contaminação dos tecidos saudáveis pelo conteúdo do implante.

Por que “explante em bloco” é um termo usado de forma equivocada na mídia

Popularizou-se na mídia o termo “explante em bloco” para se referir à retirada do implante junto com a cápsula. Do ponto de vista técnico, porém, esse termo é mais apropriado para cirurgias oncológicas, pois implica remover a prótese, a cápsula e ainda uma margem de tecido sadio ao redor. Na maioria dos casos de explante por motivos estéticos ou pela suspeita de doença do silicone, o correto é falar em explante com capsulectomia.

Como é feita a cirurgia de retirada de silicone?

A cirurgia de explante mamário é realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral ou peridural com sedação, conforme avaliação da equipe médica. Sempre que possível, o cirurgião aproveita as cicatrizes já existentes — como a do sulco mamário ou a de uma mastopexia anterior — para evitar novas marcas.

O tempo de cirurgia varia conforme a complexidade e a necessidade de reconstrução associada. A internação costuma ser curta, e o retorno para casa acontece conforme a recuperação inicial e a orientação da equipe.

Como fica a mama após o explante? Opções de reconstrução

Após a retirada do silicone, é comum que as mamas apresentem alguma flacidez e sobra de pele, especialmente quando o implante permaneceu por muitos anos. Para melhorar o contorno, o cirurgião pode associar técnicas de reconstrução no mesmo procedimento ou em etapas.

Mastopexia (lifting das mamas)

A mastopexia remove o excesso de pele e reposiciona a mama em uma altura mais elevada, corrigindo a flacidez. É um recurso frequente quando há queda importante após o explante. Entenda melhor no conteúdo completo sobre a cirurgia de mastopexia.

Lipofilling (enxerto de gordura)

O lipofilling utiliza a própria gordura da paciente — retirada de áreas como abdômen ou coxas — para repor parte do volume perdido. Por usar tecido autólogo, não há risco de rejeição. Na prática, costumo aplicar a gordura em multicamadas, das mais profundas às mais superficiais, buscando um contorno mais harmônico. Veja mais sobre o enxerto de gordura nas mamas.

Foto mostrando o enxerto de gordura (lipofilling) para mamas)
Enxerto de gordura pronto para ser usando no Explante mamário

Recuperação do explante mamário: o que esperar

A recuperação varia conforme a técnica utilizada e a presença de reconstrução associada. Os prazos abaixo são médias gerais, não regras fixas — seu cirurgião definirá o protocolo do seu caso.

  • Primeiros dias: repouso relativo, uso de sutiã cirúrgico e medicação prescrita para dor. Inchaço e desconforto são esperados.
  • 1 a 2 semanas: em geral, recomenda-se evitar esforço com os braços por cerca de 15 dias e dormir de barriga para cima.
  • 3 a 6 semanas: retomada progressiva das atividades cotidianas; exercícios físicos intensos costumam ser liberados entre 4 e 6 semanas, conforme orientação.
  • Após 6 semanas: evolução da cicatrização e acomodação do contorno mamário, com acompanhamento periódico.

Alguns cuidados ajudam na recuperação: manter a área limpa e seca, não expor as cicatrizes ao sol por pelo menos três meses e comparecer a todas as consultas de acompanhamento.

O que é normal e o que é sinal de alerta

Inchaço, hematomas leves, sensação de peso e alteração temporária da sensibilidade estão entre as reações esperadas. Já febre, dor intensa que não cede com a medicação, vermelhidão progressiva, secreção pela incisão ou aumento súbito de volume devem ser comunicados imediatamente ao cirurgião.

Riscos e contraindicações

Como todo procedimento cirúrgico, o explante mamário envolve riscos. Entre as possíveis complicações estão hematoma, seroma, infecção, alterações de sensibilidade, assimetria, flacidez residual e cicatrizes inestéticas. A escolha de um cirurgião plástico qualificado e o cumprimento das orientações pós-operatórias ajudam a minimizá-los.

O procedimento pode ser desaconselhado ou adiado em situações como infecções ativas, doenças descompensadas, tabagismo não interrompido e expectativas não realistas. Toda cirurgia plástica tem riscos e a indicação depende de avaliação individual com cirurgião plástico qualificado.

Perguntas frequentes sobre o explante mamário

Explante mamário dói muito?

A dor no pós-operatório costuma ser moderada e controlada com os analgésicos prescritos. Muitas pacientes relatam mais desconforto do que dor intensa nos primeiros dias. A intensidade varia conforme a técnica utilizada e a eventual associação com reconstrução. O acompanhamento médico orienta cada fase da recuperação.

Preciso colocar uma prótese nova ao retirar o silicone?

Não. O explante pode ser definitivo, sem reimplante. Quando há flacidez ou perda de volume, o cirurgião pode associar mastopexia e/ou lipofilling para melhorar o contorno, dispensando uma nova prótese. A escolha depende da anatomia e do desejo de cada paciente, definidos em avaliação individual.

O explante melhora os sintomas da doença do silicone?

Estudos sugerem melhora dos sintomas em parte das pacientes após a retirada da prótese, mas os resultados são variáveis e não há garantia. Como muitos sintomas se associam a outras condições, é fundamental descartar outras causas antes de relacionar o quadro ao implante e de indicar a cirurgia.

Quanto tempo dura a recuperação do explante mamário?

O prazo varia conforme o caso. Em geral, recomenda-se evitar esforço com os braços por cerca de 15 dias e atividades físicas intensas por 4 a 6 semanas, com uso contínuo de sutiã cirúrgico. O retorno às atividades é progressivo e definido nas consultas de acompanhamento.

A mama fica muito caída depois do explante?

Algum grau de flacidez é comum, principalmente quando a prótese ficou muitos anos no lugar. Por isso, o explante costuma ser combinado a técnicas de reconstrução, como a mastopexia e o lipofilling, que melhoram o formato e o contorno das mamas após a retirada do implante.

“Explante em bloco” é a mesma coisa que capsulectomia?

Não exatamente. O termo “explante em bloco” se popularizou para a retirada da prótese com a cápsula, mas tecnicamente ele se aplica a cirurgias oncológicas (prótese + cápsula + tecido sadio ao redor). Na maioria dos casos, o termo correto é explante com capsulectomia.

Considere uma avaliação individual

O explante mamário é um procedimento que exige planejamento cuidadoso e personalizado. Se você está pensando em retirar suas próteses de silicone, o primeiro passo é uma consulta com cirurgião plástico qualificado para avaliar seu caso e esclarecer as opções. Agende uma avaliação.


Escrito por Dr. Fernando Freitas — Cirurgião Plástico
CRM-SP 165046 | RQE 86753
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Publicado em 11 de setembro de 2024 | Última atualização em 29 de junho de 2026

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui consulta médica. Toda cirurgia plástica envolve riscos e a indicação depende de avaliação individual com cirurgião plástico qualificado.

Referências

  • Katsnelson JY, Spaniol JR, Buinewicz JC, Ramsey FV, Buinewicz BR. Outcomes of Implant Removal and Capsulectomy for Breast Implant Illness in 248 Patients. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2021;9(9):e3813. PubMed
  • Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP). O explante em bloco de prótese mamária de silicone na qualidade de vida e evolução dos sintomas da síndrome ASIA. RBCP
  • U.S. Food and Drug Administration (FDA). Risks and Complications of Breast Implants.
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