Em poucas palavras
Na anestesia na cirurgia de lipedema, a escolha depende do volume que será retirado e da paciente. Na minha prática, o mais comum é a anestesia combinada, geral com raqui. Em casos menores, uso só sedação ou só anestesia geral. A cirurgia dura de 3 a 4 horas, a paciente dorme uma noite no hospital e a anestesia é conduzida pelo anestesista da minha própria equipe.
A anestesia na cirurgia de lipedema é uma das principais dúvidas de quem está decidindo operar. Muitas pacientes chegam com medo da anestesia geral, e outras já leram em grupos internacionais sobre a “lipo acordada”, feita só com anestesia local. Neste texto explico quais são os tipos de anestesia, o que uso no consultório e por quê, quanto tempo dura a cirurgia e como são as primeiras horas depois dela.
Quais são os tipos de anestesia na cirurgia de lipedema
Em toda lipoaspiração para lipedema existe uma anestesia local, que é a própria solução tumescente. Antes de aspirar, o tecido recebe uma solução com anestésico local e vasoconstritor, que reduz o sangramento, facilita a retirada da gordura e ajuda no controle da dor nas primeiras horas. O que muda de um serviço para outro é o que se soma a essa solução.
| Tipo de anestesia | Como funciona | Quando é usada |
|---|---|---|
| Local tumescente isolada | Só a solução infiltrada no tecido, com a paciente acordada | Protocolos com volumes menores por sessão e mais etapas |
| Sedação | Medicação na veia que deixa a paciente sonolenta e relaxada, somada à solução tumescente | Cirurgias de menor extensão |
| Raquianestesia | Anestésico aplicado na coluna, que bloqueia a sensibilidade da cintura para baixo | Cirurgia nas pernas, em geral combinada com a anestesia geral |
| Anestesia geral | A paciente fica inconsciente durante toda a cirurgia, com controle da respiração pelo anestesista | Cirurgias de maior volume, mudanças de posição e tratamento de braços |
Qual anestesia eu uso na cirurgia de lipedema
Na maior parte dos casos, a anestesia na cirurgia de lipedema que faço é combinada: geral com raquianestesia. Em casos menores, uso apenas sedação ou apenas anestesia geral. A definição é feita caso a caso, junto com o anestesista, considerando o volume previsto, as áreas tratadas e a saúde da paciente.
A combinação tem uma lógica prática. A raqui bloqueia a dor nas pernas e reduz a quantidade de medicação geral necessária. A anestesia geral permite mudar a paciente de posição com conforto e segurança, o que é importante para tratar as pernas de forma circunferencial, por frente, lados e trás.
Por que não opero lipedema com a paciente acordada
Na minha prática, não faço cirurgia de lipedema só com anestesia local, por causa do volume e da segurança. Trabalho com o limite de até 7% do peso corporal por sessão, o que costuma representar de 6 a 8 litros de aspirado. Retirar esse volume com a paciente acordada exigiria uma quantidade de anestésico local na solução tumescente que se aproxima dos limites descritos na literatura.
Esses limites existem para evitar a intoxicação pelo anestésico. Os estudos clássicos de Klein, de 1990, descreveram doses de lidocaína de até 35 mg/kg na técnica tumescente, e um estudo de 1996 avaliou doses de até 55 mg/kg. Com anestesia geral e raqui, a solução tumescente pode ser preparada com menos lidocaína, porque o controle da dor vem também das outras anestesias.
O que é a lipo acordada para lipedema
A lipo acordada para lipedema é feita só com a solução tumescente, sem sedação profunda nem anestesia geral. Ela é comum em serviços no exterior, principalmente na Alemanha, e tem resultados publicados. Um estudo de Schmeller e colaboradores, de 2012, acompanhou pacientes operadas com anestesia local tumescente e descreveu bons resultados a longo prazo.
A lógica desse protocolo é diferente. Com a paciente acordada, o volume retirado por sessão é menor, e o tratamento costuma ser dividido em mais etapas. Na minha abordagem, o volume por sessão é maior, e o número total de cirurgias e de períodos de recuperação tende a ser menor. As duas estratégias têm racional próprio. O que muda é o planejamento, como explico no texto sobre quantas cirurgias de lipedema são necessárias.
Quanto tempo dura a cirurgia de lipedema
A cirurgia de lipedema dura, em média, de 3 a 4 horas. O tempo varia com o volume retirado, as áreas tratadas e a necessidade de mudar a paciente de posição. A esse período se somam o preparo na sala, a aplicação da anestesia e a recuperação anestésica.
Quantos dias fico internada
A paciente dorme uma noite no hospital. Nas primeiras horas, a equipe controla a dor, a hidratação e os sinais vitais, e a paciente já é estimulada a se levantar e caminhar com ajuda, o que ajuda a prevenir trombose. A alta acontece no dia seguinte, com as orientações do pós-operatório.
Opero em hospitais como Sírio-Libanês, Albert Einstein, Oswaldo Cruz e Santa Catarina, em São Paulo. A estrutura hospitalar faz parte da segurança da anestesia: centro cirúrgico completo, sala de recuperação e equipe preparada para qualquer intercorrência.
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Quem faz a anestesia: o anestesista da equipe
A anestesia das minhas cirurgias é conduzida por anestesista da minha própria equipe. Não terceirizo esse serviço. O anestesista conhece o protocolo da cirurgia de lipedema, a solução tumescente que usamos, o volume previsto e os cuidados com a hidratação durante o procedimento. Essa familiaridade com a rotina da cirurgia é uma escolha voltada para a segurança.
Consulta pré-anestésica e exames
Antes da cirurgia, a paciente passa pela avaliação pré-anestésica, prevista nas normas do Conselho Federal de Medicina para procedimentos eletivos. Nela o anestesista revisa a história clínica, as medicações em uso, alergias, cirurgias e anestesias anteriores e os exames pré-operatórios. Os exames variam conforme cada caso e costumam incluir laboratoriais e avaliação cardiológica. A lista geral está no texto sobre exames para cirurgia plástica.
Preparo para a anestesia: jejum e medicações
O preparo para a anestesia na cirurgia de lipedema segue as orientações do pré-operatório. Os pontos que mais geram dúvida são:
- Jejum: o tempo exato é passado pela equipe de anestesia e precisa ser seguido à risca, porque reduz o risco de aspiração durante a anestesia;
- Canetas emagrecedoras: suspendo os análogos de GLP-1 21 dias antes da cirurgia, porque eles retardam o esvaziamento do estômago;
- Anticoncepcional hormonal: suspenso 1 mês antes, pela relação com o risco de trombose;
- Outras medicações: anticoagulantes, antidepressivos e suplementos precisam ser informados na consulta, para que o anestesista oriente o que manter e o que suspender.
O preparo completo, com a linha do tempo do mês anterior à cirurgia, está no texto sobre o pré-operatório da cirurgia de lipedema.
Riscos da anestesia na cirurgia de lipedema
Como toda anestesia, a anestesia na cirurgia de lipedema tem riscos, e eles são discutidos na consulta pré-anestésica. Os efeitos mais comuns são passageiros:
- náusea e vômito nas primeiras horas;
- sonolência e sensação de cansaço no dia da cirurgia;
- dor de garganta leve, quando há anestesia geral;
- dor de cabeça depois da raqui, que é incomum e tem tratamento;
- dificuldade passageira para urinar logo após a raqui.
Complicações graves, como reação alérgica, alterações cardíacas e intoxicação pelo anestésico local, são raras. O controle da dose de anestésico na solução tumescente, a monitorização contínua e o ambiente hospitalar existem para preveni-las e tratá-las rapidamente se acontecerem.
Como são as primeiras horas depois da cirurgia
A paciente acorda na sala de recuperação, já com a malha compressiva. Nas primeiras horas, as pernas ainda estão parcialmente anestesiadas pela raqui e pela solução tumescente, e o desconforto costuma ser controlado com as medicações prescritas. É normal sair líquido rosado pelos pequenos orifícios da cânula, que é o restante da solução tumescente.
Ainda no hospital, a paciente se levanta e caminha com ajuda. No dia seguinte, recebe alta com as orientações de malha, medicações e drenagem. O que esperar a partir daí está no texto sobre a recuperação da cirurgia de lipedema semana a semana. Para quem vem de outra cidade, a programação da estadia está no texto sobre cirurgia de lipedema para quem mora fora de São Paulo.
Cirurgia de lipedema com equipe de anestesia própria e estrutura hospitalar
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Perguntas frequentes sobre anestesia na cirurgia de lipedema
A cirurgia de lipedema é feita com anestesia geral?
Na minha prática, na maioria dos casos, sim, combinada com a raquianestesia. Em cirurgias menores, uso só sedação ou só anestesia geral. A escolha depende do volume previsto, das áreas tratadas e da saúde da paciente, e é definida junto com o anestesista da equipe na avaliação pré-anestésica.
Dá para fazer cirurgia de lipedema acordada?
Existem protocolos de lipo acordada, só com anestesia local tumescente, em que o volume por sessão é menor e o tratamento é dividido em mais etapas. Na minha prática, não opero lipedema com a paciente acordada, porque trabalho com volumes de 6 a 8 litros por sessão, o que exige outra estratégia de anestesia.
Quanto tempo dura a cirurgia de lipedema?
A cirurgia de lipedema dura, em média, de 3 a 4 horas. O tempo varia conforme o volume retirado, as áreas tratadas e as mudanças de posição durante o procedimento. A esse período se somam o preparo na sala, a aplicação da anestesia e a recuperação anestésica.
Quantos dias fico internada depois da cirurgia de lipedema?
A paciente dorme uma noite no hospital. Nas primeiras horas, a equipe controla dor, hidratação e sinais vitais, e a paciente já caminha com ajuda. A alta acontece no dia seguinte, com as orientações de malha compressiva, medicações e drenagem linfática para os primeiros dias em casa.
A raqui pode dar dor de cabeça?
A dor de cabeça depois da raquianestesia é incomum e, quando acontece, costuma melhorar com repouso, hidratação e medicação. Em casos persistentes, existe tratamento específico feito pelo anestesista. O risco é discutido na avaliação pré-anestésica, junto com os demais efeitos possíveis da anestesia.
Anestesia na cirurgia de lipedema: o que levar deste texto
A anestesia na cirurgia de lipedema é escolhida de acordo com o volume que será retirado e com a paciente. Na minha prática, o mais comum é a anestesia combinada, geral com raqui, conduzida pelo anestesista da minha equipe, em cirurgias de 3 a 4 horas com uma noite de internação. A lipo acordada segue outra lógica, com volumes menores e mais etapas. Toda anestesia tem riscos, e a indicação depende de avaliação individual. Para entender o procedimento completo, veja o guia sobre a cirurgia de lipedema e o texto sobre lipoaspiração para lipedema.
Referências
- Klein JA. Tumescent technique for regional anesthesia permits lidocaine doses of 35 mg/kg for liposuction. Journal of Dermatologic Surgery and Oncology, 1990;16(3):248-263. PubMed 2179348
- Ostad A, Kageyama N, Moy RL. Tumescent anesthesia with a lidocaine dose of 55 mg/kg is safe for liposuction. Dermatologic Surgery, 1996;22(11):921-927.
- Schmeller W, Hueppe M, Meier-Vollrath I. Tumescent liposuction in lipoedema yields good long-term results. British Journal of Dermatology, 2012;166(1):161-168. library.lipedema.org
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.174/2017, que dispõe sobre a prática do ato anestésico. sistemas.cfm.org.br
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui consulta médica. Toda cirurgia plástica envolve riscos e a indicação depende de avaliação individual com cirurgião plástico qualificado.
Escrito por Dr. Fernando Freitas, Cirurgião Plástico
CRM-SP 165046 | RQE 86753
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Publicado em 03/11/2026 | Última atualização em 03/11/2026
