Simastia é a união das mamas na região central do tórax, sobre o esterno. O espaço que normalmente separa um seio do outro (o sulco intermamário) desaparece, e a pele ou o tecido mamário passa por cima do osso, formando uma espécie de ponte. Ela pode vir da formação natural do corpo (congênita) ou surgir depois de uma cirurgia de mama, quase sempre com prótese de silicone (adquirida).
O nome também aparece escrito como sinmastia. Vem do grego: sin (junto) e mastós (mama). Em geral a simastia não ameaça a saúde, mas costuma incomodar bastante, tanto no espelho quanto na hora de escolher roupa e decote. A correção é cirúrgica, e a técnica muda conforme a causa. É um dos temas que fazem parte das cirurgias de mama (mamoplastia), ao lado do aumento, da redução e da mastopexia.
Resumo rápido
- Simastia é a perda da separação natural entre as mamas, que passam a se encontrar sobre o esterno.
- Pode ser congênita (mamas volumosas, tendência familiar) ou adquirida (complicação de cirurgia com implante).
- O tratamento é cirúrgico e varia: retirada de pele e glândula, lipoaspiração, fechamento da loja do implante, troca da prótese ou criação de uma nova loja.
- A recuperação exige compressão específica no centro do peito e acompanhamento mais próximo que o de uma cirurgia de mama comum.
O que é simastia
Entre as duas mamas existe uma faixa de pele presa com firmeza ao esterno. É essa aderência que forma o sulco intermamário, o “vale” que aparece no decote. Na simastia, essa faixa fica solta ou ocupada por tecido. Sem a fixação, o volume de uma mama invade o lado da outra.
Dependendo da causa, a ponte entre as mamas pode ser feita só de pele ou de pele com glândula mamária e gordura. Quando há prótese, o próprio implante pode cruzar a linha média e encostar no implante do outro lado.

Como reconhecer a simastia
Os sinais mais comuns são:
- pele elevada ou “em tenda” sobre o esterno, ligando uma mama à outra;
- ausência do vale entre os seios, mesmo sem sutiã;
- implantes que se tocam no centro do peito ou parecem um volume único;
- piora do aspecto ao deitar de barriga para cima ou ao juntar os braços na frente do corpo;
- em alguns casos de simastia adquirida, sensação de repuxamento ou desconforto na região central.
Uma mama grande que encosta na outra dentro do sutiã não é, por si só, simastia. O que define o quadro é a perda da aderência da pele ao esterno. Quem faz essa distinção é o cirurgião plástico, no exame físico.
Tipos de simastia: congênita e adquirida
| Aspecto | Simastia congênita | Simastia adquirida |
|---|---|---|
| Origem | Formação natural das mamas, sem cirurgia prévia | Cirurgia de mama anterior, na maioria das vezes com implante de silicone |
| Perfil típico | Mamas volumosas ou caídas, muitas vezes com casos semelhantes na família | Mulheres com prótese, seja de aumento estético ou de reconstrução após mastectomia |
| O que forma a ponte | Pele, gordura e, às vezes, glândula mamária sobre o esterno | Pele descolada do esterno, com as lojas dos implantes se comunicando |
| Frequência | Rara | Pouco comum, mas é a forma mais vista no consultório |
| Base do tratamento | Retirada do excesso de tecido e refixação da pele ao esterno | Fechamento ou reposicionamento da loja do implante, com ou sem troca da prótese |
Simastia congênita
É a forma natural, também chamada de simastia primária. Aparece no desenvolvimento das mamas, sem relação com cirurgia. Costuma acompanhar mamas grandes e pesadas, e é comum que mãe, irmã ou avó tenham o mesmo traço. Com o tempo, o peso e a flacidez tendem a acentuar a ponte de tecido no centro do peito.

Simastia adquirida
Também chamada de simastia iatrogênica, é a que surge depois de uma cirurgia. Ela é uma complicação conhecida da mamoplastia de aumento e da reconstrução mamária com implante. Pode aparecer logo nas primeiras semanas ou meses depois, à medida que o implante pressiona a região central.
O que causa a simastia adquirida
Na simastia adquirida, a pele sobre o esterno perde a aderência e as duas lojas dos implantes passam a se comunicar. Os fatores mais associados a isso são:
- Implante largo demais para o tórax. Quando a base da prótese é maior que a base da mama, o implante pressiona o centro do peito e força a pele a se soltar. Entender como a prótese de silicone é escolhida ajuda a ver por que o tamanho não é só uma questão de gosto.
- Loja do implante estendida em direção ao esterno. Quanto mais a loja avança para o centro, menor a faixa de pele que segura o sulco.
- Acúmulo de líquido após a cirurgia. Seroma (líquido) ou hematoma (sangue) não drenados podem descolar tecidos na linha média.
- Reconstrução após mastectomia. Na retirada da mama por câncer, parte do tecido próximo ao esterno pode ser removida, o que deixa a região mais frágil.
- Cicatrizes e queimaduras na mama ou no tórax, que alteram a forma como a pele adere ao osso.

Simastia faz mal à saúde?
Na maior parte dos casos, não. A simastia é considerada uma alteração estética, sem prejuízo para a função da mama ou risco à vida. Na forma adquirida, porém, algumas pacientes relatam desconforto ou dor na região central, sobretudo quando os implantes pressionam a pele fina sobre o esterno.
O impacto emocional também conta. Muitas pacientes evitam decotes, biquíni ou certas posições por causa da aparência da região. A decisão de operar parte dessa queixa e de uma avaliação individual: não existe obrigação de corrigir, e a cirurgia só se justifica quando o incômodo pesa mais que os riscos do procedimento.
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Como é o tratamento da simastia
O tratamento da simastia é cirúrgico, tanto na forma congênita quanto na adquirida. Exercícios, sutiãs, massagens ou cremes não recriam a aderência da pele ao esterno. A técnica é definida no exame físico, de acordo com o que forma a ponte entre as mamas, a presença ou não de implante e a qualidade da pele.
Correção da simastia congênita
O objetivo é remover o excesso que ocupa a linha média e voltar a prender a pele ao esterno. Conforme o caso, o plano pode incluir:
- retirada de pele, de glândula mamária ou de ambas na região central;
- lipoaspiração da gordura sobre o esterno;
- pontos internos que fixam a pele ao plano profundo e recriam o sulco;
- associação com mamoplastia redutora ou mastopexia, quando o volume e a queda das mamas fazem parte do problema.
Em casos mais difíceis, a literatura brasileira descreve técnicas como o lifting reverso da região, com avanço de um retalho da parte superior do abdômen.
Correção da simastia adquirida
Aqui o foco é a loja do implante. As principais estratégias descritas são:
- Capsulorrafia: costura da cápsula (o tecido que o corpo forma em volta da prótese) na parte interna, para estreitar a loja e afastar o implante do centro.
- Nova loja (neoloja): criação de um espaço novo para o implante, em outro plano, fechando a loja antiga.
- Troca do implante: em geral por uma prótese de base mais estreita, às vezes em outro plano (sobre ou sob o músculo).
- Reforço com matriz dérmica ou suturas de adesão: pontos ou materiais que ajudam a manter a pele presa ao esterno durante a cicatrização.
- Retirada do implante: em alguns casos, o explante mamário pode ser a opção, com ou sem mastopexia associada.
Uma revisão sistemática que reuniu 118 pacientes agrupou as técnicas em quatro famílias: adesão da pele ao esterno, capsulorrafia, nova loja e reparo muscular. Nenhuma se mostrou superior às outras, e por isso muitos cirurgiões combinam mais de uma no mesmo tempo cirúrgico.
Recuperação após a correção da simastia
O pós-operatório da simastia pede acompanhamento mais próximo do que uma cirurgia de mama tradicional. Nas primeiras semanas, a pele ainda está aderindo de novo ao esterno, e qualquer pressão do implante ou movimento brusco pode comprometer o sulco recém-criado.
No pós-operatório que conduzo, a paciente usa um colete cirúrgico próprio para a região, com uma peça que comprime o centro do peito e ajuda a manter a separação entre as mamas.

Outros cuidados costumam fazer parte da recuperação:
- uso contínuo do colete ou sutiã com compressão central pelo período orientado;
- evitar exercícios de peitoral e movimentos que aproximem os braços com força, até liberação médica;
- dormir de barriga para cima nas primeiras semanas;
- consultas de retorno mais frequentes, para conferir o sulco e a posição dos implantes;
- retorno gradual à academia, começando por exercícios de membros inferiores.
Os prazos de cada etapa variam com a técnica usada e com a resposta de cada paciente, e são definidos em consulta.
A simastia pode voltar depois da cirurgia?
Pode. A recidiva é a complicação mais característica dessa cirurgia. Na revisão sistemática citada acima, a taxa global de retorno da simastia ficou em torno de 8,5%, e a capsulorrafia isolada foi a técnica com mais recidivas. Uma série de casos mostrou que algumas pacientes precisaram de mais de um procedimento até chegar a um sulco estável.
Como toda cirurgia, a correção também tem os riscos gerais: hematoma, seroma, infecção, alterações de cicatriz, assimetria, mudanças de sensibilidade e complicações relacionadas ao implante, como contratura capsular. Esses riscos são discutidos antes da cirurgia, junto com o plano para o seu caso.
É possível prevenir a simastia em cirurgias de mama?
No caso da simastia adquirida, boa parte da prevenção acontece no planejamento. Escolher o implante pela largura da base da mama, e não só pelo volume desejado, é o ponto central. Também pesam a preservação dos tecidos próximos ao esterno ao criar a loja e o cuidado com seroma e hematoma no pós-operatório.
Para quem vai fazer o primeiro implante, vale perguntar na consulta como a base da prótese foi definida e que margem fica entre ela e o centro do peito. Para quem já tem simastia, o melhor momento para tratar é depois que os tecidos estiverem estáveis, o que normalmente exige esperar alguns meses após a última cirurgia.
Simastia tem correção. O primeiro passo é o exame
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Perguntas frequentes sobre simastia
Simastia tem cura?
A simastia tem tratamento cirúrgico, que busca recriar o sulco entre as mamas. A técnica depende do tipo: na congênita, retira-se o excesso de tecido e a pele é refixada ao esterno; na adquirida, a loja do implante é corrigida, com ou sem troca da prótese. Como existe risco de recidiva, o acompanhamento no pós-operatório é parte do tratamento.
Dá para corrigir simastia sem cirurgia?
Não. Sutiãs, fitas, massagens e exercícios podem disfarçar o aspecto, mas não recriam a aderência da pele ao esterno, que é o que forma o sulco entre as mamas. Nos primeiros dias após uma cirurgia com implante, compressão pode ajudar quando o problema é detectado cedo, mas a decisão é sempre do cirurgião responsável.
Quem tem simastia congênita pode colocar prótese de silicone?
Pode, mas o implante sozinho tende a piorar a ponte entre as mamas. Nesses casos, o planejamento costuma incluir a correção da região central junto com a cirurgia, e a prótese é escolhida com base mais estreita. A indicação depende do exame físico e da qualidade da pele e da glândula de cada paciente.
Quanto tempo depois da prótese a simastia pode aparecer?
A simastia adquirida pode aparecer nas primeiras semanas após a cirurgia, quando os tecidos ainda estão cicatrizando, ou surgir aos poucos ao longo dos meses, conforme o implante pressiona o centro do peito. Ao notar que o vale entre as mamas está diminuindo, o ideal é avisar o cirurgião que fez o procedimento o quanto antes.
O plano de saúde cobre a correção de simastia?
Depende da causa e do contrato. A simastia congênita costuma ser tratada como alteração estética, sem cobertura obrigatória. Quando ela surge após reconstrução mamária por câncer, a correção pode ser considerada parte da reconstrução. Vale consultar a operadora e a equipe da clínica sobre convênios e reembolso.
Referências
- Duarte Junior G. Lifting reverso do seio mamário para tratamento de simastia congênita. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. 2017;32(2). rbcp.org.br
- Simastia pós-mamoplastia de aumento com implantes de silicone: tratamento com suturas de adesão. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. 2018;33. rbcp.org.br
- An efficient method for the correction of iatrogenic symmastia: a case series. Annals of Medicine and Surgery. 2018. PMC5911666
- Common complications in aesthetic breast augmentation. Seminars in Plastic Surgery. 2015. PMC4545954
- Surgical treatment of symmastia: a systematic review of techniques, outcomes and complications (23 estudos, 118 pacientes).
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui consulta médica. Toda cirurgia plástica envolve riscos e a indicação depende de avaliação individual com cirurgião plástico qualificado.
Escrito por Dr. Fernando Freitas — Cirurgião Plástico
CRM-SP 165046 | RQE 86753
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Publicado em 17/06/2022 | Última atualização em 13/10/2026


